terça-feira, fevereiro 23, 2016

A Psicopatia cotidiana, vista por uma leiga no assunto

       Em um mesmo fim de semana, assisti a dois filmes com temáticas semelhantes. O primeiro foi o nacional Confia Em Mim, protagonizado por Mateus Solano, que interpreta um falso investidor, sendo sedutor e manipulador, ludibriando uma chef de cozinha, interpretada por Fernanda Machado. O outro filme foi o indicado ao Oscar Trapaça, protagonizado por Christian Bale e Amy Adams. Ambos interpretam um casal de trapaceiros, atuando na Nova Jersey dos anos 70, também seduzindo e manipulando pessoas.


Fernanda Machado e Mateus Solano, no filme Confia em Mim



Amy Adams e Christian Bale, no filme "Trapaça"




         Ambos os filmes me fizeram refletir bastante sobre o comportamento humano e me inspiraram a escrever esse texto. Porém, antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que não sou nem psicóloga nem psiquiatra. Verdadeiramente, sou leiga no assunto! No entanto, penso que meus 31 anos de vida, somados ao fato de ser professora e lidar com todo o tipo de gente, além de ler bastante sobre a psiquê humana, me permitem fazer algumas considerações. E desejo que os "experts" no assunto façam suas contribuições nos comentários.
         Pode não parecer, a princípio, mas esses personagens são, nada mais nada menos, que psicopatas! É que quando se fala sobre psicopatas, pensa-se logo nos "serial killers", ou seja, assassinos em série, que matam compulsivamente, tipo o "Maníaco do Parque". Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, todo "serial killer" é psicopata, mas nem todo psicopata é "serial killer".
         A mesma psiquiatra mencionada no parágrafo acima, é autora de um livro o qual recomendo muitíssimo, chamado Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado. Ele quebra esse pensamento de que os psicopatas são todos assassinos terríveis e faz com que o leitor veja que eles estão mais próximos de nós do que se imagina! Ele pode ser aquele político corrupto, que manipula o povo, para depois roubá-lo. É, talvez, aquela sua amiga, que tem uma vida tão surpreendente, tão mirabolante, que você se pega pensando se todos os acontecimentos e "causos" por ela narrados são verdadeiros. Ela faz de tudo para te iludir, te manipular, te convencer! E, mesmo sendo desmascarada, inventa uma "saída", que pode até convencer os mais crédulos, mas não os mais sagazes! São histórias que não "batem", se juntarmos as pecinhas do quebra-cabeça! 


A Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva e seu excelente livro







         O psicopata pode ser um músico talentosíssimo, que encanta a todos com o seu vasto conhecimento musical e virtuose, mas que manipula todos ao seu redor: família, amigos, cônjuge, tudo isso para obter vantagens, passando por cima de tudo e de todos, sendo, inclusive, capaz de inventar que estava com câncer, só para comover as pessoas. Tempos depois, essa pessoa é capaz de simular uma amnésia, fingindo não se lembrar e não entender porque tanta gente se afastou dele! Incrível, porém real!
          As histórias são muitas e em diversos momentos de minha vida. Será difícil identificar alguém com esse perfil manipulador e mentiroso ao extremo? Talvez sim, talvez não! Só sei que desconfio desses manipuladores, principalmente nas relações afetivas e em ambientes de trabalho.
           Enfim, para nós leigos, não existe receitinha de bolo: todo o cuidado é pouco!
           E você? Tem alguma história para contar? Comente!

sexta-feira, setembro 11, 2015

O que espero da vida?

   Outro dia, meu namorado comentou comigo que havia visto na TV uma reportagem sobre o que as mulheres de 20, 30 e 40 anos esperavam da vida! Segundo ele, a maioria delas esperavam ficar ricas, encontrar um príncipe encantado (sério que ainda tem tontas assim?!), entre outras coisas típicas do universo feminino. Só que eu, de cara, falei para ele que o que espero da vida é SILÊNCIO. "Como assim?", ele perguntou. E posso afirmar que muitas outras pessoas que me conhecem fariam essa mesma pergunta, afinal, por quê será que uma pessoa que adora conversar, rir, que ama heavy metal, blues e se empolga com solos de guitarra que mais parecem diálogos frenéticos, que adora percussão, entre outras coisas, espera silêncio da vida?! Vamos lá!
    A falta de educação está generalizada. Hoje, você adentra um ônibus ou um vagão de trem ou de metrô, e tem gente gritando ao invés de conversar e ainda por cima com quem está ao lado. Quando não é isso, é gente ouvindo música alta (geralmente funk), achando que todo mundo gosta daquela "sonzeira irada", pensando que está "tirando onda" ou então aquele grupo de moleques fazendo algazarra e xingando um monte de palavrão. E o povo que atende o telefone gritando?! Nem preciso falar...
    Em outro cenário, você caminha calmamente pelas ruas e, de repente, escuta vozes altas e pensa que é uma briga. Ledo engano: são apenas pessoas batendo um papo descontraído.
    Em um contexto de sala de aula, os alunos gritam o tempo todo por todas as razões possíveis: responder a chamada, pedir para ir ao banheiro/beber água, tirar uma dúvida (quando tiram, não é?!), pedir algo emprestado ao colega, fazer barraco, escândalo, histeria (triste realidade, mas muito comum atualmente!). Aquela paz da escola, aquele ambiente de silêncio para poder ler, estudar, se concentrar para aprender, assimilar os conteúdos, ouvir o professor, isso simplesmente não existe mais! E ainda tem os colegas de trabalho que simplesmente berram (ao invés de conversarem normalmente) na sala dos professores ou no refeitório, durante o almoço. Como querem exigir silêncio dos alunos se fazem o mesmo que eles?! Como posso almoçar sossegada, em paz, se meus tímpanos estalam em meio a tantos gritos (semana passada aconteceu isso, pasmem!)?!
    Nos dias 10 e 11 de setembro aconteceu, em uma das escolas onde leciono, uma feira cultural. Gente!!!! Fica difícil expressar com palavras o que presenciei ali: gritos, palavrões, um barulho infernal. Só consegui suportar aquilo usando tampões nos ouvidos. Alguns colegas saíram de lá com dores de cabeça e zonzos! Isso é uma feira cultural ou uma guerra?! Sim, esta é uma guerra contra a poluição sonora e a falta de respeito e de educação!
     NOSSA SOCIEDADE DESAPRENDEU A FAZER SILÊNCIO!
   Saibam que não sou a única a observar isso. A professora Kátia Simone Benedetti, escreveu sobre o assunto em seu livro “A Dignidade Ultrajada – ser professor do ensino público nos dias atuais”, livro este que a vale muito a pena ser lido. Kátia fala justamente sobre a atual geração, que não sabe o que é ter um momento de introspecção, de reflexão, de SILÊNCIO. Ficam o tempo todo com fones de ouvido, grudados em celulares, tablets, notebooks ou pc's e não treinam a concentração, não se silenciam. Enfim, leiam o livro para compreenderem melhor o ponto de vista da professora.
     Bom, mas voltando ao meu ponto de vista... Existe uma diferença bem grande entre ruídos/barulhos e música. Muitos incautos acham que blues ou heavy metal são estilos musicais de malucos, acham que se trata de um monte de caras tocando guitarras e gritando ou se lamentando. Se você for adulto ou ao menos tiver bom senso, entenderá que a minha observação tem a ver com POLUIÇÃO SONORA e não com música extrema. Como o tema do meu texto é outro, sugiro a essas pessoas que pensam da forma supracitada que dediquem alguns minutos de silêncio para pesquisarem sobre os referidos estilos musicais.
      Desejo o silêncio para poder olhar nos olhos do meu interlocutor e ouvi-lo atentamente e para que ele também possa me ouvir. Quero um ambiente de silêncio para poder ensinar calmamente aos meus alunos os conteúdos da disciplina e para que eles possam aprendê-la com concentração. Quero poder estudar e almoçar em paz, sem gritos, escândalos. Gostaria imensamente de voltar a lidar com seres humanos educados, pois a impressão que tenho é a de que voltamos à Era das Cavernas.
      Além de silêncio, espero da vida poder pilotar uma Harley-Davidson pela Rota 66. É pedir demais?!

sábado, agosto 22, 2015

8 anos de carreira: memória e reflexões

   Passou rápido demais! No último dia 13, completei 8 anos de magistério! Até então, não havia me dado conta de que estou em sala de aula há tanto tempo! Consegui sobreviver, apesar dos pesares e aqui estou, depois de muitas vitórias conquistadas dia após dia.
    Essa crônica visa rememorar meus melhores e piores momentos como professora. Convidos aos leitores a me acompanharem nessa viagem ao passado! Apertem os cintos!
    Então... Comecei minha trajetória lecionando em dois famosos cursos de idiomas. Como eu adorava esse tempo! Quanta saudade! Era ótimo, mas nem fazia ideia disso! Vivia sem estresse, sem ansiedade... Minha preocupação era a de preparar aulas criativas para pessoas interessadas em aprender inglês. Trabalhava de segunda a sábado, com públicos variados: crianças, adolescentes, adultos, pessoas de meia idade e com diferentes níveis, indo do básico ao avançado! Queria cada vez mais e mais turmas, adorava participar de workshops promovidos por editoras e livrarias e aproveitei para fazer os exames de Cambridge. Tudo parecia maravilhoso e perfeito. Eu tinha gás e disposição de sobra, até um dia me dei conta de que não dava para viver somente de cursinho: algumas turmas não lotavam e consequentemente, fechavam, o que acarretava em menos grana; certos alunos reclamavam de coisas idiotas tais como a música que eu passei para eles não ser uma que estivesse nas paradas de sucesso ou que eu havia pulado uma página do livro, etc. Essas coisinhas começaram a me irritar, então comecei a arrumar alunos particulares, lecionando também português.
      E eis que um belo dia de 2009, a Secretaria do Estado de Educação me convocou. Aparentemente, meus problemas haviam acabado! Tive o privilégio de começar na rede estadual trabalhando em uma ótima escola, com uma ótima direção e alunos idem! Por ser o turno da noite, os alunos eram mais velhos e portanto, mais interessados e comportados. Lecionava para 6 turmas do Ensino Médio regular. Minhas aulas eram lúdicas, fazendo com que aqueles alunos recuperassem suas autoestimas; afinal, a maioria deles estavam há anos afastados dos bancos escolares e o sentimento de incapacidade era muito presente.
      Porém, um dia o sonho acabou: no início de 2010, a direção dessa escola me informou que eu teria que sair de lá, pois muitas turmas haviam fechado e eu, por ser a mais nova, deveria procurar um outro colégio. E lá fui eu, morrendo de medo, para a coordenadoria escolher uma nova escola, preocupadíssima em relação a onde eu iria parar. Depois de muito pesquisar, acabei ficando em duas escolas diurnas perto de minha casa, com turmas de Ensino Médio compostas por adolescentes, um público que sempre achei difícil. Tive que rever minha didática, repensar o programa e daí, encarei a nova situação. Deu tudo certo e logo me adaptei aos "teens". Em uma das escolas, a direção era ótima e me apoiava. Já na outra... Enfim, acho que os leitores entenderam, não é mesmo?
      Em 2011, consegui ficar na escola cuja direção era presente e nela estou até hoje. A cada ano, o nível de conhecimento do público piora, infelizmente! Para se ter uma ideia, em 2010, meu primeiro ano lá, eu passava seminários e os alunos faziam. Por sinal, eram excelentes apresentações! Atualmente, nem trabalhos em sala de aula alguns fazem! Meu objetivo era trabalhar a parte cultural dos países de língua inglesa através de trabalhos e pesquisas em grupo. Agora, isso se tornou cada vez mais difícil. Inclusive, sou aconselhada por colegas e direção a passar somente trabalhos para serem feitos em sala e olhe lá, pois "assim, eles fazem". Só que, conforme mencionei acima, nem sempre "assim eles fazem"!
      Em 2012, assumi uma matrícula na prefeitura da minha cidade. Se até o momento eu não sabia o que eram problemas graves em minha profissão, a partir de então passei a conhecê-los e ainda por cima, isso se deu da pior forma possível! Logo de cara, peguei 4 turmas de "projeto". Para o leitor pouco familiarizado, turmas de projeto são formadas por alunos em distorção série/idade. Ou seja, eu lidava com adolescentes que eram, em sua grande maioria, infratores, oriundos de famílias com histórico de violência e abusos, entre outras situações de risco social. Como ninguém queria essas turmas e eu era a mais nova professora da escola, sobrou pra mim esse "pepino". Eu não estava preparada para uma realidade tão pesada, com alunos brigando em sala de 5 em 5 minutos, xingando palavrões, fazendo dobraduras de armas e desenhando coisas obscenas ou violentas. A direção me aconselhava para "ignorar" o que eles faziam.
     Toda semana, no dia anterior ao de ir para essa escola, chorava muito por conta da tensão e ansiedade que tomavam conta da minha alma. Consequentemente, acabei desenvolvendo depressão por ansiedade e isso culminou em licença médica! Iniciei um tratamento que dura até o presente momento e hoje, depois de muito choro e noites mal dormidas, posso dizer que estou 80% melhor!
      Mudei de escola. Agora, leciono inglês para o 1o segmento do Ensino Fundamental. É tranquilo? De maneira nenhuma, pois as crianças chegam para a escola cada vez mais sem limites, sem educação alguma, porque seus pais acreditam ser do professor o papel de educá-los. Gritam o tempo todo e bem alto, a tal ponto de ser impossível explicar os conteúdos, ouvir uma música, ver um filme ou fazer exercícios com audios, além de não trazerem o material fornecido pela própria prefeitura: livros com conteúdo lúdico e criativo, produzidos pela Cultura Inglesa. Poderia ser maravilhoso, mas...
      Minha meta, daqui para frentre, é continuar estudando, a fim de mudar de público. Meu foco é o magistério federal, composto majoritariamente por escolas técnicas ou com graduações politécnicas. Não penso em trocar de carreira, mas sim de público, pois as escolas "comuns", tanto públicas quanto privadas, se tornaram ambientes ansiogênicos para mim!
      Também estou em busca de alunos particulares, tanto para aprenderem inglês quanto para se aperfeiçoarem na língua portuguesa. Gosto muito do que faço, mas quero lecionar para quem quer, de fato, aprender!
      Fico muito feliz quando vejo ex-alunos do Médio entrando nas universidades, mesmo que privadas. Recentemente, soube de dois ex-alunos muito queridos que estão cursando Desenho Industrial e Engenharia Civil, sendo um na estadual e o outro na federal do Rio de Janeiro.
       Então, é isso, gente! Retomando meu blog depois de meses de estudo intenso! Em breve, tem mais!
Abraços!
     

quinta-feira, abril 02, 2015

Carnaval 2015: Minha primeira experiência com o site/aplicativo Airbnb



     Como a grande maioria dos brasileiros, sou uma pessoa bastante desconfiada. Desconfio de coisas muito baratas, de excesso de simpatia, de gente boazinha demais, de muitos sorrisos e por aí vai. Afinal, vivo num país cheio de malandros e corruptos. É compreensível, certo?! Porém, no Carnaval deste ano, abri uma exceção e deixei um pouco de lado o medo e a desconfiança.
     Um certo dia, um amigo me falou sobre o Airbnb. Ele havia alugado um quarto em Natal-RN por uns dias, pois estava participando de um evento em uma universidade. Esse amigo me contou que a família que o hospedou era maravilhosa e que tinha muitas coisas em comum com ele. Conversaram bastante, riram juntos e agora, eles o querem de volta, mas como visita!
     Diante de tantas novidades, meu amigo me convenceu: resolvi, então, baixar o aplicativo do Airbnb e já fiz a minha estreia no Carnaval de 2015! Escolhi um destino muito especial, um lugar que eu não visitava havia 15 anos: Vila Velha, no Espírito Santo. Levei comigo meu pai, minha sogra e meu namorado. Alugamos um apartamento no bairro Coqueiral de Itaparica, próximo à praia de mesmo nome. O apartamento era pequeno, mas muito jeitoso e estava de pleno acordo com as nossas necessidades.



Vila Velha, ES



O "boom" imobiliário de Vila Velha, ES

Shopping Vila Velha

                                     



     Chegando ao condomínio onde se localizava o apartamento, fomos recebidos pela dona do imóvel, uma senhora muito simpática e cordial, que nos passou todas as instruções. Na cozinha, tudo o que precisávamos nos foi oferecido: panelas, pratos, talheres, copos, vasilhames e produtos de limpeza em geral. Vale ressaltar que nem mesmo toalhas nem roupas de cama precisamos levar! A dona do imóvel nos ofereceu tudo mesmo!
     Posso dizer que foi o melhor carnaval da minha vida: sem tumultos, sem blocos, sem gritaria. É que, apesar de ter apenas 30 anos, nunca fui chegada a pular carnaval. Prefiro relaxar mesmo e aproveitar o feriadão! Enfim, não sou uma típica carioca foliã!
     Quanto à cidade de Vila Velha, esta mudou muito de 15 anos para cá! Está passando por um "boom" imobiliário, com muitos prédios lindos e shoppings idem!
     Depois de alguns dias em Vila Velha, pegamos o Trem de Passageiros da Vale em Cariacica, região metropolitana de Vitória, até Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Realizamos um sonho antigo do meu pai! Foram 13 horas de viagem simplesmente deliciosas! Não imaginava que conhecer o Brasil desta forma fosse ser tão agradável e proveitoso! Vimos belíssimas paisagens entre Espírito Santo e Minas. Nem preciso dizer que recomendo essa experiência a todos, rs!
     Os trens possuem duas classes: econômica e executiva. Escolhemos a executiva pelo conforto, é claro. Mas as pessoas podem circular normalmente pelos vagões, até porque, 13 horas sentado direto, ninguém aguenta! Há também um vagão-restaurante e lanchonete, mas os passageiros da classe executiva recebem as quentinhas nos próprios assentos.


                 
Vagão- restaurante no Trem da Vale







Apreciando as belas paisagens entre Espírito Santo e Minas Gerais




    Já em Belo Horizonte, visitamos mais uma vez o Circuito Cultural Liberdade, o Mercado Central e, é claro, como não poderia deixar de ser, o clássico bate-e-volta ao Museu Inhotim. Meu pai ainda não conhecia o maior museu a céu aberto do mundo. Foi a sua primeira vez lá e ele se encantou com aquele lugar maravilhoso!

Inhotim




    Quanto ao Airbnb, pretendo usá-lo outras vezes, tanto no Brasil quanto no exterior. Meu próximo destino provavelmente será Brasília, onde irei pela primeira vez!
       

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

A realização de um sonho


Castelo de Chapultepec

Basílica de Guadalupe

Museu de Antropologia

Museu Frida Kahlo

Ruínas de Teotihuacan
       

       
       Se alguém me perguntasse como e quando foi que comecei a me interessar pelo México, acho que não saberia responder com exatidão.
       Talvez tenha sido por volta dos 8 anos, quando eu me sentia na pele dos personagens da novela "Carrossel". Era como se eu estudasse na Escuela Mundial e fizesse parte daquela turma. Porém, eu era uma espécie de aluna que só observava, sem participar diretamente dos fatos, tal como um narrador observador. Eu sonhava com o México todas as noites e não era a única. A maioria das crianças da minha geração sonhava com o México, com a sua capital e seus palacetes esplendorosos! Sonhava com a professora Helena e sonhava que era mexicana. Sonhava que passava as férias em Acapulco, como o Chaves em um de seus muitos episódios hoje sabidos de cor e salteado por muitos balzaquianos e lobos brasileiros. Tudo era sonho, mas que parecia realidade.
       Talvez tenha sido ouvindo a tradicional música mariachi, que achava divertida e diferente desde pequena ou talvez pelo Santana, cuja guitarra me acordava nas manhãs de sábado, com meu pai ouvindo seus discos ou as canções do famoso guitarrista na Fluminense FM.
       Talvez tenha sido por causa da História dos povos Pré-colombianos que habitavam o México: os Mayas, os Aztecas e tantos outros. A cultura indígena está em meu sangue, tanto na ancestralidade quanto na admiração e curiosidade.
       A História do México me abriu as portas para mais conhecimento e mais sonhos. Depois de me encantar com as obras de Frida Kahlo nos museus, quis saber mais sobre a vida da pintora, repleta de tragédias e de muita melancolia. Quis experimentar a comida desse país: forte e apimentada. Quis ver muitos homens e muitas mulheres, com cabelos castanhos, lisos e brilhantes, sempre impecáveis no gel ou brilhantina. Esse povo meio índio, meio branco, meio Maya, meio Azteca, meio espanhol, a pele morena, os olhos puxados; a pele branca, os olhos verdes, azuis... o sorriso no olhar! A infância e a juventude. O rock, as músicas tradicionais. A forma peculiar de lidar com a morte. Os álbuns de fotos nos cemitérios. A tristeza se convertendo em alegria. A luta por um país melhor.
       O tempo passou e aos 30 anos, veio a oportunidade de realizar esse sonho antigo. Conhecer o mundo sempre esteve em meus planos, mas o México era aquele "país-prioridade", sabe? Ele era o primeiro da listinha, apesar de não ter sido o primeiro efetivamente. Não sei exatamente quando esse sonho começou. Acho que nasci com ele!
       Chegou a hora do sonho virar realidade, de poder me sentir parte integrante deste lugar e desta História ou de várias outras histórias que surgirão no caminho.
       Sou mexicana de coração faz tempo. O México é a segunda pátria dos latino-americanos. O Brasil é a segunda pátria dos mexicanos.
         


 E DEPOIS DE IR AO MÉXICO...
     


       Foram 11 dias incríveis, sendo a maioria deles passados na Cidade do México, capital do país. A maior cidade da América Latina exala História pelos poros! E como eu amo muito isso! A cidade é bastante limpa e arrojada. As pessoas que conheci pelas minhas andanças eram muito educadas e simpáticas. Elas só tinham um problema: falava muiiiiito rápido! Foi muito dificultoso compreendê-las. E para completar, o espanhol mexicano sofreu uma grande influência da língua náhuatl, do tronco Azteca. O que isso significa?! Significa que várias palavras do cotidiano se tornam difíceis de entender, pois elas são de origem indígena! Ítens de alimentação, cujos significados eu saberia facilmente em espanhol de Espanha ou da Argentina, eu jamais saberia no espanhol do México sem perguntar aos locais! Foi um grande aprendizado!
        Me hospedei em um hostel perto do Monumento à Revolução Mexicana, próximo à estação de Metrô Hidalgo e com linhas de ônibus e de Metrobus (BRT) próximas. Posso afirmar que fiquei em um lugar com fácil acesso para outros pontos da cidade. Logo no primeiro dia em que cheguei, quis dar uma volta pelo Centro Histórico, também conhecido como Zócalo, que ficava a cerca de 20 minutos a pé de onde estava hospedada. Há diversos museus por lá, o que daria um passeio de praticamente um dia inteiro. Depois, peguei o metrô e o trem ligeiro (VLT) e parti para o Estádio Azteca, palco da vitória do Brasil na Copa de 1970. Existe um tour bastante interessante por lá.


Eu, no Estádio Azteca



       Tirei um dia inteiro para conhecer o Bosque de Chapultepec e seu Castelo, que foi residência do Imperador Maximiliano e da Imperatriz Carlota. No bosque, há outros museus, tais como o imperdível Museu de Antropologia. 


Zócalo



      Andei de "trajinera" nos canais de Xochimilco, visitei o Museu Frida Kahlo no bairro de Coyoacán, visitei a Basílica de Guadalupe e as ruínas Aztecas de Teotihuacan... Ufa! Fiz muita coisa nessa capital! Depois, parti para Cancún, o destino preferido da maioria dos brasileiros. Foi lá que finalmente consegui relaxar, pois essa viagem foi super agitada. Me hospedei em um hostel no Centro, pois a Zona Hoteleira é caríssima! Tive a impressão de que, quem fica nessa região, não tem a menor noção do que é Cancún! É um mundo a parte, isolado do coração da cidade.
      Tirei um dia para ir à Chichen Itzá, uma das 7 maravilhas do mundo. Trata-se de uma velha cidade Maya. O que mais me impressionou foi a pirâmide Kukulcán, que é um grande calendário. Existem muitos detalhes sobre ela. Aos interessados em conhecê-la, recomendo que busquem em sites ou em livros de História. Também matei a vontade de mergulhar em um cenote, uma espécie de rio que era um dos muitos locais onde os Mayas faziam seus sacrifícios. Os outros dias foram aproveitados à beira-mar, bebendo sucos e comendo sanduíches.

Xochimilco

Playa Marlines

Pirâmide Kukulcán, Chichen Itzá

Eu, nadando em um cenote, nos arredores de Chichen Itzá




         Antes de voltar para casa, passei mais um dia na capital. Vale mencionar que aquele México, muito católico e tradicionalista, ainda existe! Vide as várias festas de debutantes que vimos pela cidade: meninas com belos trajes de gala, acompanhadas de suas damas e cavalheiros devidamente trajados. Algumas, pulavam com amigos nos tetos solares de limousines. Os transeuntes as saudavam. Aqui no Brasil, as festas de debutantes mudaram muito e muitas meninas preferem nem fazer festa. Além disso, vi várias noivas floridas, fotografando nos monumentos da cidade. Casamento na igreja, de véu e grinalda, ainda é forte no México, assim como no Brasil.
         Os homens mexicanos são super vaidosos. Vide as prateleiras dos supermercados, repletas de produtos masculinos que não existem no Brasil. Mas um detalhe me chamou atenção: potes enormes de gel, prometendo "fixação espetacular". Menininhos, adolescentes, jovens, idosos...TODOS usam gel! Já as mulheres, são obcecadas por maquiagem. Achei exagerado, pois muitas pareciam palhaças, rs!
         Os pratos de comida são tão bem servidos que resolvi dividí-los com meu namorado. Cheguei à conclusão de que o povo do México e exagerado em vários sentidos, inclusive no drama, rs!
         Os mexicanos amam ler. Há diversas livrarias,  por toda parte, em cada quarteirão na capital! Além disso, há vendedores ambulantes dentro metrô, que anunciam livros a Mx$10 (cerca de R$ 2,50). Detalhe é que são livros novos! E Paulo Coelho é ídolo!
         A figura da "abuela" continua firme e forte, por influência da cultura Maya, essencialmente matriarcal. Mas tem um outro México que poucos brasileiros conhecem. Eu vi muitos casais homossexuais por lá, em diversos lugares. Muitos, inclusive, se beijavam em público, dentro de restaurantes, coisa que vejo muito pouco no Rio. Para os radicais (feministas, principalmente) que adoram dizer que o México é um país ultra machista, está na hora de rever seus conceitos!
         Pretendo voltar ao país, desta vez para visitar Guadalajara e Mérida. Recomendo!






sábado, dezembro 27, 2014

Sobre o Brasil (Parte II)


   Por Jairo Barbosa
   



       Inúteis, sem ideologia e esperando a ajuda do Divino Deus.
                                             



                                     
Que país é este?

        
       


Renato Russo







       Meu caro Renato Russo:
       



        O país ainda é o mesmo que você conheceu e ainda está do jeito que você deixou. Na política, nada mudou. Os políticos são os mesmos, tanto nos sobrenomes, quanto nos comportamentos. Sai corrupto e entra corrupto, sai fdp e entra fdp. As ações, os enredos, são os mesmos. Só mudam os canalhas, os canastrões. O lema ainda é o mesmo: "é dando que se recebe".
        Para eles, o nosso suor não é sagrado!
        As polícias são as mesmas: eficientes quando as convêm e ineficientes quando também as convêm.
        A justiça é a mesma: funciona dependendo muito da cara, da cor e principalmente do bolso do cidadão.
        A "Geração Coca-Cola" agora é a "Geração Internet": tem acesso a tudo, mas não filtra nada!
       
       
Cazuza



        Meu caro Cazuza:
     




        Você queria uma ideologia para viver, mas continuamos cultuando ideologias ultrapassadas, caducas e caquéticas! Você pedia para o país mostrar a sua cara, mas este continua mascarado, curtindo esse eterno carnaval de bizarrices em que vivemos. Continua mascarado, por medo, covardia, corrupção, incompetência e falta de vergonha na cara. 
        O povo continua o mesmo. Às vezes, esboça alguma reação, depois se volta para o futebol, a praia, a cerveja e o carnaval.
        Quanto aos nossos heróis, eles continuam morrendo de overdose... de balas perdidas de bandidos e policiais, de falta de assistência médica, de falta de educação, que está falida por culpa dos governos, que só querem números de aprovações. Há cinismo e hipocrisa da parte de quem é eleito para governar em prol do povo, mas governa para benefício próprio e de seus apadrinhados.
        Em relação aos seus inimigos, eles já deixaram o poder. Hoje, quem ocupa o poder são aqueles que se diziam ser nossos amigos. Até fizeram algumas coisas boa, mas depois dos escândalos, de "mensalões", dinheiro na cueca e "petrolão", decepcionaram aqueles que acreditaram que "os amigos" fariam um país mais ético, mais justo e menos corrupto.
      
       


Roger Moreira



        Meu caro Roger Moreira:
         




        Você, que ainda está vivo, continua vendo que ainda somos inúteis e ainda esperando a ajuda do Divino Deus, como cantam Philippe Seabra e sua Plebe Rude.
    
        Afinal, 
                



         Que país é esse?!
     

sábado, dezembro 06, 2014

Sobre o Brasil

Por Jairo Barbosa

    O Brasil é um país curioso. Esperamos 514 anos para sabermos que aqui nessa terra, cujo povo é risonho e alegre e onde "em se plantando, tudo dá", os juízes da esfera judiciária são "deuses". Pelo menos, é o que pensa o juiz envolvido no episódio com a equipe da Lei Seca.
    Ao usar o artifício chamado "carteirada" e ouvir da funcionária que "juiz não é Deus" (e de fato não é!), o meritíssimo "rodou a toga": deu a ela voz de prisão e processou-a por desacato a autoridade. Ou seja, na concepção dele, "juiz é Deus" e quem ousar pensar ao contrário, tem que ser punido.
    Todo brasileiro, ao nascer, começa a ouvir e a falar, entre outras baboseiras, que somos o país do futuro, que temos a maior festa popular do mundo, que somos o país do futebol e a mais "confortante" de todas as frases-clichês: "Deus é brasileiro". Analisando a história do Brasil, principalmente as atuações de parte de seus homens públicos, desde o seu descobrimento aos dias atuais, com seus escândalos do "mensalão", "petrolão", Correios e muitos outros, e sabendo que fomos criados, segundo a Bíblia, à imagem e semelhança de Deus, eu pergunto: será que esse Deus, que todos nós pensamos ser brasileiro, também é juiz?
      Se for, está explicado porque o Brasil é assim.
      É porque "a gente é assim", não é, Cazuza!?

Juiz "deus"

segunda-feira, novembro 17, 2014

Sobre a Feira Cultural 2014 do C.E.M.J.B.M. ou Sobre Como a Criatividade Venceu a Preguiça

       Nos últimos dias 13 e 14 de novembro, aconteceu a Feira Cultural do colégio estadual onde leciono, na zona norte do Rio de Janeiro. O evento já faz parte do calendário escolar há alguns anos e é planejado com bastante antecedência, além de ser aguardado com ansiedade por alunos e professores.
       Quem tem filhos adolescentes e/ou lida com essa faixa etária de alguma forma, sabe que, em geral, eles são muito preguiçosos com os estudos, além de serem indisciplinados. Os professores sempre os aconselham a manterem notas boas logo no início do ano letivo, a fim de evitarem recuperações, dependências e consequentemente, reprovações. Afinal, não são todos os professores que possuem o tal "espírito natalino", isto é, dão "pontinhos" para ajudarem os alunos a passarem. Pois bem, mesmo com tantos conselhos e dicas, eles preferem sofrer e se desesperarem aos "45 minutos do 2o tempo", diante de uma provável reprovação.
        O último dia 13 de novembro, porém, foi para mim uma grata surpresa. Eu e uma colega professora de português ficamos responsáveis por uma turma de 1o ano do Ensino Médio na Feira Cultural. O tema central: profissões. A profissão escolhida por eles: carreira militar. A turma foi dividida em 3 grupos: Marinha, Exército e Aeronáutica. Eles pesquisaram, montaram maquetes, fizeram cartazes e, pasmem, até marcharam. Tudo por 3 pontos na média, é claro. E foi assim que a criatividade (e o desespero) venceram a preguiça. Mas eu diria que, no fundo, eles adoraram fazer tudo isso e aprenderam muitas coisas interessantes.
         














Parabéns, turma!



            PS: tive que ouvir piadinhas dos invejosos pelo tema escolhido. Lembrando que quem escolheu falar sobre carreiras militares foi a turma! 
             Outras duas turmas escolheram falar sobre Polícia (civil, militar, rodoviária e federal). Os "intelectuais" devem ter ficado irados!

sexta-feira, outubro 31, 2014

Professores: seus vícios e virtudes

Todo mundo tem defeitos. Os professores não são diferentes!
  
                          





      Não são poucas as pessoas que têm a visão de que magistério combina com sacerdócio. Um professor abnegado, super dedicado e que não faz mais nada além de lecionar: na cabeça de muita gente, é assim que um bom professor deveria ser!
      O curioso disso tudo é encontrar professores que também compartilham dessa mesma visão. Ao se depararem com colegas que possuem vida além da sala de aula, esses professores-sacerdotes querem consertá-los a qualquer custo! São repreensões de lá, daqui... dizem que "certas coisas pegam mal para um professor", etc. Eu sou alvo dessa gente, acreditem! Mas é aquilo: eles pagam as minhas contas?! No!
      Para quem não sabe, atuo como professora de inglês (PI) em duas escolas públicas, sendo uma de Fundamental I e a outra de Ensino Médio. São dois ambientes distintos, com seus prós e contras. Em relação aos alunos, no Fundamental I eles são mais calmos e mais fáceis de lidar. No Ensino Médio, a falta de educação reina!
     Já em relação aos professores, existem diferenças gritantes entre os que atuam em escolas de Ensino Fundamental I e Ensino Médio. Nas escolas de Fundamental I(antigo primário), 99% dos professores são mulheres. Então, meus caros, se forem aquelas que já passaram da época de se aposentarem... Vixe!! São pessoas, em sua maioria, amargas, rancorosas, fofoqueiras e invejosas! A pessoa que vos escreve já virou artista na arte de conviver com mulheres amarguradas! Nessas escolas, os professores PI (aqueles que cursaram faculdade, não ficam direto com a mesma turma - como as PII- e que lecionam Artes, Língua Estrangeira e Ed. Física) sofrem, sendo alvos constantes de intrigas, comentários maliciosos e altos níveis de recalque! Isto é, mesmo estando todos em prol da educação (embora eu tenha lá as minhas dúvidas a respeito disso!), elas, ao invés de se unirem aos PI's, preferem fazer uma espécie de querela, disputando as turmas entre si! Desperdício total!
       Já os professores que atuam no Fundamental II e no Ensino Médio são todos muito legais, gente boa, amigos, unidos...Até você não aderir a uma greve! Experimente declarar em alto e bom som que não fará greve e espere para ver o que vai te acontecer: amizades desfeitas, você vai ser chamado de "pelego", "coxinha", "reaça", "fascista"(eita, banalização!) e afins! Eu também já fui alvo deles! E o que dizer das discussões em fóruns de professores do Médio no Facebook?! Nem vale a pena perder tempo com gente radical, que não sabe discordar educadamente! Só o que eles pensam é o certo e ai de quem disser que não é bem assim, que há outras visões além dessas apresentadas e tal. Aliás, diga-se de passagem, comportamento esse bem semelhante ao dos fascistas, né!? Mas na cabeça deles, fascistas são os não-radicais! Cês tão tudo precisando estudar, fessores!
       Como vocês puderam ver, professores não se aborrecem apenas com alunos,mas também com colegas inconvenientes! E não, gente! Não são todos os professores que se comportam desse jeito! Há muita gente boa no magistério, que pensa por si próprio e que tem peito pra discordar da "manada"! Tem muita gente que respeita o direito de o colega não fazer greve e tem muitas PII maravilhosas, que estão sempre colaborando com os PI's! Essa crônica não tem a intenção de generalizar uma classe! Eu, como professora PI, quis apenas mostrar que somos seres humanos como quaisquer outros, com qualidades e defeitos! Essa imagem de professor-sacerdote precisa cair por terra e já!
         E eu estou na "cena" educacional há 7 anos, sempre remando contra a maré. Como diria o poeta Cazuza, "Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem nenhum arranhão da caridade de quem me detesta". E sigo enfrentando tubarões, gaviões, hienas, baleias, cobras, lagartixas e o que mais a fauna e a flora brasileira puserem no meu caminho!
      

quinta-feira, outubro 23, 2014

Uma geração cuspida no mundo

    Na última quinta-feira (16), estava assistindo ao programa "Polícia 24h",na Band,que é uma versão de "Cops",exibido no canal pago TruTV.
    Foi mostrado o caso de uma mulher que maltratava seu filho de 10 anos e que, por esse motivo, acabou sendo denunciada por vizinhos. Ela disse,em alto e bom som,que NÃO QUERIA MAIS O MENINO e nem queria ter ficado grávida dele.
    Sinto informar-lhes,mas...
       ISSO É MAIS COMUM DO QUE SE IMAGINA!
    Vejo isso direto na escola municipal onde trabalho. Inclusive, recentemente,uma mãe nos disse que vai pôr para fora de casa seu filho de 15 anos,que nasceu com problemas mentais,pois ela tentou abortá-lo e não conseguiu!
     Eu fico imaginando o que essas crianças e jovens devem ouvir de seus próprios pais,que têm a obrigação de acolhê-los,amá-los,educá-los e cuidá-los! São pais que nunca planejaram ter filhos e, já que os teve, a prole é "cuspida" no mundo!
     Essas crianças são jogadas diariamente no chamado "depósito",que foi no que, infelizmente, a escola pública se transformou nos dias atuais! No "depósito", os professores precisam conter a agressividade dessas crianças,apartando brigas,chamando atenção e ensinando-os o mínimo de regras de convivência e respeito ao próximo,porque,em casa,o que menos eles têm é gente educada e que sabe respeitar!
     Acordem,pessoal! Essa geração de largados é o reflexo de suas famílias,que foram se formando sem qualquer planejamento e sem amor! Muitas dessas crianças foram até mesmo concebidas em bailes funk. Seus pais são,na maioria dos casos,desconhecidos!
     Dá para entender porque hoje fica praticamente impossível lecionar com tranquilidade numa escola! Já que a "casa" é um problema, a escola precisa fazer malabarismos para solucioná-lo! Mas nós, gestores e professores, não somos salvadores. Somos seres humanos,de carne e osso e sofremos com tudo isso.
    As famílias precisam ser responsabilizadas judicialmente por "cuspirem" seus filhos no mundo. E tenho dito!

quinta-feira, outubro 16, 2014

Vida de pós-graduando


    Com a idade,vêm as responsabilidades. Com as responsabilidades, a falta de tempo. E assim,começa a minha cadeia improdutiva artístico-literária: sem tempo, sem inspiração, sem arte.
    Sāo tempos de trevas. Os eventos que a vida me obriga a participar não são nada inspiradores. Ao meu redor,já cedo pela manhã,há gente mal educada, que não sabe conversar. Apenas gritam. Crianças e adolescentes histéricos chafurdam na lama da ignorância,na erotização precoce. Universitários pseudo-intelectuais e bebuns se degladiam por causa de política. Professores radicais doutrinam seus alunos,gerando assim mais radicalismos. Ruas sujas. Mentes sujas. Corações, idem.
     Impossível ter vontade de escrever uma crônica. Eu teria que me isolar do mundo. No momento,me transformei em uma espécie de máquina de produzir textos acadêmicos: muita objetividade e imparcialidade. Pouca subjetividade e opinião própria. Ossos do ofício, garota! Necessidade e urgência de ir além de uma graduação,já que faculdade, hoje em dia, até analfabeto faz! Vontade de me afastar de vez desse marasmo, reduto de gente barraqueira e sem-noção: o que se tornou a educação básica atual.
      A inspiração pode surgir do caos,mas definitivamente,o caos não me inspira: ele me adoece.

quinta-feira, março 20, 2014

Fanatismo Político e Amizades Abaladas

     
                              






      Este ano,como é sabido por todos,teremos, além da Copa, as eleições para presidente,governadores,deputados(federais e estaduais) e senadores. Logo,logo, nossas timelines do Facebook e do Twitter estarão cheias de propagandas eleitorais, divulgadas por páginas ou por amigos!
      Todos nós temos direito de expôr nossas preferências políticas,fazer propaganda de algum candidato ou partido... Enfim, ainda temos alguma liberdade de expressão! Não escrevi "alguma" por acaso ( lá na frente,vocês entenderão o motivo disso!). Acompanho política desde criança (acreditem se quiserem! Basta perguntar a qualquer parente meu!) e,mas recentemente,comecei a acompanhar economia. No entanto,nunca deixei que o fanatismo político tomasse conta de mim,a ponto de ter amizades abaladas!
        É,meus caros,ando muito preocupada com alguns amigos meus! Alguns deles estão tão politicamente fanáticos,que não falam em outros assuntos! Em suas timelines "feicibuquianas" só há postagens sobre política,atacando pessoas com opiniões divergentes! Coisas do tipo "fulano que não pensa assado deveria ser proibido de abrir a boca" e,quando se deparam com alguém que não "segue a manada", se valem da tríade "reaça,fascista,nazista!" para atacarem! Dá até vontade de rir dessas três palavras que,diga-se de passagem, não ofendem mais a ninguém! Sério,gente! Vira o disco porque já está ficando caricato!



"Vira o disco porque já está ficando caricato!"
                             
   

       Há alguns amigos que parecem dedicar boa parte do tempo livre entrando em páginas de grupos que são politicamente divergentes deles e, por lá, postam provocações. Mas não para por aí: provocam também os próprios amigos que pensam diferente. A discussão fica tão pesada que acabam partindo para a ofensa pessoal! Eu mesma fui alvo de um amigo fanático político na semana passada,mas nem perderei meu tempo entrando nos detalhes dessa história! Definitivamente,não vale a pena!  Resolvi o problema deixando de seguí-lo e restringindo meus textos para ele. Além disso,também vivi um momento bastante desagradável na véspera do Natal passado,só que, desta vez, ao vivo e a cores dentro da minha própria casa. Resumindo o caso,um amigo muito querido veio me visitar e,ao tocarmos num assunto sobre política, falei algo que contrariava as ideias dele e ele,praticamente,me mandou calar a boca: "Silêncio! Não quero saber o que você tem a dizer!". Lamentável! Fiquei sem reação,pois jamais imaginaria que ele fosse capaz de tamanho desrespeito! Ainda bem que meu pai estava presente e o colocou no devido lugar de um jeito especial: desconstruindo as ideias dele! Sem grosseria,sem excessos!
          A praga do fanatismo político foi,inclusive, o motivo do fim de uma banda de rock integrada por pessoas próximas a mim! Por meras divergências políticas, parcerias musicais foram interrompidas. As pessoas estão pirando na política e se esquecendo do que realmente importa! A tendência, pelo que vejo, é piorar! Vale lembrar que várias pessoas estão saindo definitivamente ou entrando mais raramente no Facebook, por conta dos ataques que recebem dos amigos. Outros,passaram a postar amenidades ou só curtem o que alguém posta. Pensam duas vezes antes de postar algo de cunho político,pois teme pelas reações fanáticas. Isso só enfraquece a democracia e fortalece a ditadura velada da opinião única!  Eis aí o motivo de ter escrito a palavra "alguma" (liberdade de expressão) lá em cima! Estamos sendo silenciados sorrateiramente e muita gente ainda nem se deu conta disso! A patrulha ideológica,como bem mencionou meu amigo Ives Pierini, cresce a cada dia! Só é visto como "inteligente", "culto", "cabeça", "gente boa", "bom caráter" quem pensa como a maioria das pessoas!
         

        Diga NÃO ao Fanatismo Político!


PS: Dedico esse texto a todos os fanáticos políticos e às vítimas de amigos 
fanáticos políticos!


PS: um abraço apertado pra quem me acha má! Morro de rir,gente! Sério mesmo!
     

sexta-feira, março 14, 2014

A Velha tribo dos P.I.'s







A cara do P.I.
                                 
                                  
     Nos dias de hoje,somos silenciosamente pressionados a termos uma opinião sobre tudo. Opinião esta que não necessariamente seja formada após estudos e reflexões. Pode ser opinião da "manada" mesmo,no esquema do "vai-com-as-outras". Algumas pessoas,humildemente,assumem suas ignorâncias totais ou parciais acerca de um determinado assunto. Já outras,fingem que sabem sobre algo que,na verdade,não sabem,só para não ficarem "por baixo". Minha amiga Renata, professora de História,carinhosamente chama esse grupo de pessoas que adoram fingir conhecimento sobre algo, de "pseudo-intelectuais" (P.I.,para os íntimos!).
      No entanto, engana-se quem pensa que os P.I.'s surgiram nos últimos anos. Essa "tribo" anda espalhando suas "pseudo-ideias" por aí faz muito,mas muito tempo mesmo! Uma prova disso é um texto francês que traduzi na semana passada. Ele fala sobre um fato curioso,de cunho pseudo-intelectual,que ocorreu na França,em plena Era das Vanguardas Europeias,ou seja,no fim do século XIX e início do século XX.
      Tomei conhecimento desse texto durante as minhas aulas de francês e tive a sensação de que o fato narrado parecia ter ocorrido nos dias de hoje,tamanha a sua atualidade. Eis o texto:

                                        O Nascimento de uma Obra-Prima

         O começo do século XX na França foi um grande período de criações artísticas. Todos os anos, uma nova escola artística surgia. Depois do Fauvismo de Matisse e de Derain,vieram o Cubismo de Picasso e de Braque e,depois, a Arte Abstrata,o Futurismo...
         Diversos artistas se instalavam no bairro de Montmartre, que até hoje lembra um vilarejo e que se transformou no centro artístico e literário de Paris.
         No entanto, nenhum desses pintores e escultores tinham o talento de um Van Gogh ou de um Toulouse- Lautrec. Alguns deles buscavam explorar a ignorância do público que seguia os estilos e a moda que ditavam. Nem sempre dava para reconhecer as obras de qualidade.
        
                                       

                                         O escritor francês Roland Dorgelès                                                       


         

          Então,para debochar desses "artistas",o escritor Roland Dorgelès e seus amigos decidiram criar um grande grupo. O dono do Lapin Agile,o café onde se reuniam Dorgelès e seus amigos,tinha um burrinho que se chamava Lolo. Dorgelès colocou Lolo diante uma mesa coberta de cenouras e de saladas. Ele pôs um pincel molhado de tinta no rabo do burrinho,voltado para um quadro em branco. Os movimentos do rabo do animal começaram a desenhar formas abstratas sobre a tela,enquanto ele comia as cenouras.
         Um oficial de justiça e um fotógrafo convidados por Dorgelès observaram a cena. De vez em quando, Dorgelès mudava o quadro de lugar e molhava o pincel em uma tinta de cor diferente.
         
             

Eis o resultado dessa "experiência pseudo-intelectual": Coucher du soleil sur l"Adriatique, do "pseudo-artista" Joaquim Raphaël Boronali
                                



          Logo,a obra foi finalizada. Só faltava dar-lhe um nome: "Pôr-do-sol sobre o Mar Adriático". Faltava também criar o nome do pintor: Joaquim Raphaël Boronali, com "muita personalidade" e com um "grande talento".
         Tempos mais tarde, Dorgelès revelou todo o caso ao jornal "Le Matin". Essa revelação só fez aumentar o sucesso do quadro. Todo mundo queria vê-lo. O quadro foi vendido por 400 francos,cerca de 1500 euros. A obra existe até hoje. Ela foi exposta em 1983 no Salão dos Artistas Independentes.

                            Fonte: D'après Claude Gagnières, Au Bonheur des mots, Robert Laffont, Paris, 1989.




           Como vocês puderam ver,o que Dorgelès fez foi debochar dos P.I.'s, fazendo com que um simples burrinho "pintasse" um quadro. E ele bem que conseguiu: o quadro fez um enorme sucesso,mesmo depois que ele revelou a todos a farsa que criou! Isso só nos mostra o quão pseudo-intelectuais as pessoas já eram naquela época,na França. Aliás, já ouvi alguém falando que a França é o "habitat natural" dos P.I.s!! Será?!
            Essa história toda me remete à novela "Caras & Bocas",que está sendo reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo",na TV Globo. O personagem do ator Marcos Pasquim faz o maior sucesso com os quadros...pintados por um macaco (!!!). Quem sabe, Walcyr Carrasco, o autor da novela, não tenha se inspirado nesse caso que foi narrado acima? Não sabemos.
           O que sei é que em qualquer lugar,dando pitaco sobre qualquer assunto,vai sempre existir um P.I. de plantão pra encher a paciência dos outros com suas ideias de araque! Adoram falar sobre o que não sabem ou não conhecem com uma propriedade que chega a impressionar! São movidos pelo orgulho,pois têm vergonha de assumirem que não estão por dentro de um determinado assunto ou de terem opiniões contrárias à maioria dos mortais. P.I.'s têm sempre "grandes soluções" para os "grandes problemas da humanidade". Geralmente,amam a humanidade,mas têm graves problemas em amar o próximo!
           Enfim,falar de pseudo-intelectuais dá um grande pano pra manga. Eu poderia ficar aqui horas e horas escrevendo sobre eles e não encerrar a "conversa". Talvez,eu escreva uma outra crônica sobre eles,falando da "atuação" desta tribo em outros setores,como a política,por exemplo. Mas é um "talvez". Não é um "com certeza"! Não quero dar "ibope" pra esse pessoal,não! 
           P.I.'s me dão preguiça!


 Gabriela Barbosa