sexta-feira, setembro 11, 2015

O que espero da vida?

   Outro dia, meu namorado comentou comigo que havia visto na TV uma reportagem sobre o que as mulheres de 20, 30 e 40 anos esperavam da vida! Segundo ele, a maioria delas esperavam ficar ricas, encontrar um príncipe encantado (sério que ainda tem tontas assim?!), entre outras coisas típicas do universo feminino. Só que eu, de cara, falei para ele que o que espero da vida é SILÊNCIO. "Como assim?", ele perguntou. E posso afirmar que muitas outras pessoas que me conhecem fariam essa mesma pergunta, afinal, por quê será que uma pessoa que adora conversar, rir, que ama heavy metal, blues e se empolga com solos de guitarra que mais parecem diálogos frenéticos, que adora percussão, entre outras coisas, espera silêncio da vida?! Vamos lá!
    A falta de educação está generalizada. Hoje, você adentra um ônibus ou um vagão de trem ou de metrô, e tem gente gritando ao invés de conversar e ainda por cima com quem está ao lado. Quando não é isso, é gente ouvindo música alta (geralmente funk), achando que todo mundo gosta daquela "sonzeira irada", pensando que está "tirando onda" ou então aquele grupo de moleques fazendo algazarra e xingando um monte de palavrão. E o povo que atende o telefone gritando?! Nem preciso falar...
    Em outro cenário, você caminha calmamente pelas ruas e, de repente, escuta vozes altas e pensa que é uma briga. Ledo engano: são apenas pessoas batendo um papo descontraído.
    Em um contexto de sala de aula, os alunos gritam o tempo todo por todas as razões possíveis: responder a chamada, pedir para ir ao banheiro/beber água, tirar uma dúvida (quando tiram, não é?!), pedir algo emprestado ao colega, fazer barraco, escândalo, histeria (triste realidade, mas muito comum atualmente!). Aquela paz da escola, aquele ambiente de silêncio para poder ler, estudar, se concentrar para aprender, assimilar os conteúdos, ouvir o professor, isso simplesmente não existe mais! E ainda tem os colegas de trabalho que simplesmente berram (ao invés de conversarem normalmente) na sala dos professores ou no refeitório, durante o almoço. Como querem exigir silêncio dos alunos se fazem o mesmo que eles?! Como posso almoçar sossegada, em paz, se meus tímpanos estalam em meio a tantos gritos (semana passada aconteceu isso, pasmem!)?!
    Nos dias 10 e 11 de setembro aconteceu, em uma das escolas onde leciono, uma feira cultural. Gente!!!! Fica difícil expressar com palavras o que presenciei ali: gritos, palavrões, um barulho infernal. Só consegui suportar aquilo usando tampões nos ouvidos. Alguns colegas saíram de lá com dores de cabeça e zonzos! Isso é uma feira cultural ou uma guerra?! Sim, esta é uma guerra contra a poluição sonora e a falta de respeito e de educação!
     NOSSA SOCIEDADE DESAPRENDEU A FAZER SILÊNCIO!
   Saibam que não sou a única a observar isso. A professora Kátia Simone Benedetti, escreveu sobre o assunto em seu livro “A Dignidade Ultrajada – ser professor do ensino público nos dias atuais”, livro este que a vale muito a pena ser lido. Kátia fala justamente sobre a atual geração, que não sabe o que é ter um momento de introspecção, de reflexão, de SILÊNCIO. Ficam o tempo todo com fones de ouvido, grudados em celulares, tablets, notebooks ou pc's e não treinam a concentração, não se silenciam. Enfim, leiam o livro para compreenderem melhor o ponto de vista da professora.
     Bom, mas voltando ao meu ponto de vista... Existe uma diferença bem grande entre ruídos/barulhos e música. Muitos incautos acham que blues ou heavy metal são estilos musicais de malucos, acham que se trata de um monte de caras tocando guitarras e gritando ou se lamentando. Se você for adulto ou ao menos tiver bom senso, entenderá que a minha observação tem a ver com POLUIÇÃO SONORA e não com música extrema. Como o tema do meu texto é outro, sugiro a essas pessoas que pensam da forma supracitada que dediquem alguns minutos de silêncio para pesquisarem sobre os referidos estilos musicais.
      Desejo o silêncio para poder olhar nos olhos do meu interlocutor e ouvi-lo atentamente e para que ele também possa me ouvir. Quero um ambiente de silêncio para poder ensinar calmamente aos meus alunos os conteúdos da disciplina e para que eles possam aprendê-la com concentração. Quero poder estudar e almoçar em paz, sem gritos, escândalos. Gostaria imensamente de voltar a lidar com seres humanos educados, pois a impressão que tenho é a de que voltamos à Era das Cavernas.
      Além de silêncio, espero da vida poder pilotar uma Harley-Davidson pela Rota 66. É pedir demais?!

3 comentários:

Valquíria disse...

Gabi,
Faço das suas palavras as minhas.
Meus atuais alunos não são diferentes, falam em um tom que saio da escola com dor de cabeça.
Vou procurar o livro citado, na esperança de ter uma ajuda pedagógica.

Livia Monteiro disse...

Eu gosto de sons, mas aquele som útil, de protesto, de troca de idéias, de botar pra fora os sentimentos, de explodir pra não morrer. No meu caso, o excesso de barulho me gerou um silêncio contido por anos, que ao ser quebrado, veio como um vulcão. Sabe o que espero da vida? Talvez o mesmo que você. Paz. Mesmo que venha com gritos de independência e liberdade!

Aline Carvalho disse...

Tb sinto muita falta do silêncio em vários momentos como esses que vc citou. Agora a questão é como recuperá-lo. Eu espero da vida modificar o que eu puder e me livrar do que incomoda e não posso modificar.
Aline Carvalho