quinta-feira, julho 07, 2016

A essência e a transformação

   As circunstâncias da vida vão, aos poucos, me deixando mecânica. Tem horas em que apenas obedeço os comandos do meu cérebro e não paro para refletir sobre nada! Aliás, quem nunca passou por isso?!
   No entanto, entre maio e abril últimos, enquanto fazia um longo e difícil trabalho de mestrado, tive um momento de epifania, algo raro nessa minha vida corrida, de muitas leituras, trabalho e estresse. Tudo se sucedeu a partir dessa frase:
         





       Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio. (Heráclito de Éfeso)




     Tal filósofo, do período pré-socrático, defendia que as coisas e as pessoas viviam em constante transformação, mudanças. O conhecimento seria alcançado através da experiência pessoal, da opinião. Entretanto, opondo-se a tudo isto, temos outro pré-socrático, Parmênides de Eléa, que defendia que a Verdade (Alétheia) jamais poderia vir da opinião (Dóxa), isto é, daquilo que não se tem certeza. Defendia, pois, o filósofo, que o ser era imutável e que as experiências não passavam de ilusões.






     Não! Não esperem que eu diga qual filósofo parece estar correto. Não me sinto na posição de dar um parecer tão profundo. Mas fiquei pensando nesses dois pensadores e em suas ideias diametralmente opostas. Pensei um pouco sobre a minha vida. De fato, não sou a mesma de 30 anos atrás, nem a mesma de ontem e nem de minutos, segundos recém-passados. As transformações são contínuas. Se quando eu era mais nova achava o fim da picada passar um sábado a noite em casa vendo um filme, atualmente fazer essas atividades triviais são tudo o que mais quero! Me transformei, me transformo e me transformarei sempre! Se antes eu gostava de debates na Internet, agora dispenso discussões banais nas redes sociais e "amigos" dominados pelo fanatismo político e troco-os por uma esticada no sofá, ao som de uma boa música.
      Você também mudou, muda e mudará constantemente. Enfim, eu e você somos heraclitianos, é fato! Mas às vezes, Parmênides bate a nossa porta e faz com que jamais percamos a nossa Verdadeira Essência. Posso amadurecer com as minhas experiências, mas a minha essência vai continuar lá, intacta. Vou ser sempre questionadora, sarcástica e leitora ávida, com sede de aprender! E, desse jeito, sou há 32 anos e sempre serei!
        Acho que somos um misto de Heráclito e Parmênides: por mais que as experiências nos façam mudar, a nossa essência sempre será a mesma!

terça-feira, março 29, 2016

Voltamos à Era das Cavernas!

Em uma praça de alimentação de shopping, me sinto num mamicômio.
    




     Antes de mais nada, faça o seguinte teste: vá a um shopping, sente-se em um banco da praça de alimentação e feche os olhos! Agora, me diga: onde você parece estar: num shopping ou num manicômio?!
     Em pleno século XXI, as pessoas se comunicam, aos berros, com quem está ao lado. Crianças, adolescentes, adultos gritam ao telefone, gritam pessoalmente, gritam com os filhos, gritam no restaurante, gritam na escola, no trabalho... E assim, esquecem-se de falar, apenas falar!
     Às vezes, me pergunto se gritar é uma maneira de não ser esquecido. Será que as pessoas pensam que, gritando, jamais serão esquecidas?! Seria um caso clássico de carência afetiva?!
     Nas salas de aula, silêncio é uma espécie em extinção. A capacidade de concentração dos alunos é quase zero! Não conseguem ficar mais que 2 minutos calados e prestando atenção ao professor. E eu não estou exagerando: converse com qualquer professor de educação básica e se comprovará a afirmação que fiz!
     Na faculdade, na lato sensu ou na stricto sensu, não é diferente! Fui especializanda e agora, sou mestranda e ainda tem gente que solta gritinhos no meio da aula. Só posso sentir vergonha alheia dessa gente!
     Pois bem, pelo que venho percebendo, voltamos à Era das Cavernas! Nos comportamos como animais irracionais e me pergunto para que serve tanta tecnologia hoje em dia se o melhor computador de todos os tempos, que se chama cérebro, está sendo mal utilizado.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

A Psicopatia cotidiana, vista por uma leiga no assunto

       Em um mesmo fim de semana, assisti a dois filmes com temáticas semelhantes. O primeiro foi o nacional Confia Em Mim, protagonizado por Mateus Solano, que interpreta um falso investidor, sendo sedutor e manipulador, ludibriando uma chef de cozinha, interpretada por Fernanda Machado. O outro filme foi o indicado ao Oscar Trapaça, protagonizado por Christian Bale e Amy Adams. Ambos interpretam um casal de trapaceiros, atuando na Nova Jersey dos anos 70, também seduzindo e manipulando pessoas.


Fernanda Machado e Mateus Solano, no filme Confia em Mim



Amy Adams e Christian Bale, no filme "Trapaça"




         Ambos os filmes me fizeram refletir bastante sobre o comportamento humano e me inspiraram a escrever esse texto. Porém, antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que não sou nem psicóloga nem psiquiatra. Verdadeiramente, sou leiga no assunto! No entanto, penso que meus 31 anos de vida, somados ao fato de ser professora e lidar com todo o tipo de gente, além de ler bastante sobre a psiquê humana, me permitem fazer algumas considerações. E desejo que os "experts" no assunto façam suas contribuições nos comentários.
         Pode não parecer, a princípio, mas esses personagens são, nada mais nada menos, que psicopatas! É que quando se fala sobre psicopatas, pensa-se logo nos "serial killers", ou seja, assassinos em série, que matam compulsivamente, tipo o "Maníaco do Parque". Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, todo "serial killer" é psicopata, mas nem todo psicopata é "serial killer".
         A mesma psiquiatra mencionada no parágrafo acima, é autora de um livro o qual recomendo muitíssimo, chamado Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado. Ele quebra esse pensamento de que os psicopatas são todos assassinos terríveis e faz com que o leitor veja que eles estão mais próximos de nós do que se imagina! Ele pode ser aquele político corrupto, que manipula o povo, para depois roubá-lo. É, talvez, aquela sua amiga, que tem uma vida tão surpreendente, tão mirabolante, que você se pega pensando se todos os acontecimentos e "causos" por ela narrados são verdadeiros. Ela faz de tudo para te iludir, te manipular, te convencer! E, mesmo sendo desmascarada, inventa uma "saída", que pode até convencer os mais crédulos, mas não os mais sagazes! São histórias que não "batem", se juntarmos as pecinhas do quebra-cabeça! 


A Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva e seu excelente livro







         O psicopata pode ser um músico talentosíssimo, que encanta a todos com o seu vasto conhecimento musical e virtuose, mas que manipula todos ao seu redor: família, amigos, cônjuge, tudo isso para obter vantagens, passando por cima de tudo e de todos, sendo, inclusive, capaz de inventar que estava com câncer, só para comover as pessoas. Tempos depois, essa pessoa é capaz de simular uma amnésia, fingindo não se lembrar e não entender porque tanta gente se afastou dele! Incrível, porém real!
          As histórias são muitas e em diversos momentos de minha vida. Será difícil identificar alguém com esse perfil manipulador e mentiroso ao extremo? Talvez sim, talvez não! Só sei que desconfio desses manipuladores, principalmente nas relações afetivas e em ambientes de trabalho.
           Enfim, para nós leigos, não existe receitinha de bolo: todo o cuidado é pouco!
           E você? Tem alguma história para contar? Comente!

sexta-feira, setembro 11, 2015

O que espero da vida?

   Outro dia, meu namorado comentou comigo que havia visto na TV uma reportagem sobre o que as mulheres de 20, 30 e 40 anos esperavam da vida! Segundo ele, a maioria delas esperavam ficar ricas, encontrar um príncipe encantado (sério que ainda tem tontas assim?!), entre outras coisas típicas do universo feminino. Só que eu, de cara, falei para ele que o que espero da vida é SILÊNCIO. "Como assim?", ele perguntou. E posso afirmar que muitas outras pessoas que me conhecem fariam essa mesma pergunta, afinal, por quê será que uma pessoa que adora conversar, rir, que ama heavy metal, blues e se empolga com solos de guitarra que mais parecem diálogos frenéticos, que adora percussão, entre outras coisas, espera silêncio da vida?! Vamos lá!
    A falta de educação está generalizada. Hoje, você adentra um ônibus ou um vagão de trem ou de metrô, e tem gente gritando ao invés de conversar e ainda por cima com quem está ao lado. Quando não é isso, é gente ouvindo música alta (geralmente funk), achando que todo mundo gosta daquela "sonzeira irada", pensando que está "tirando onda" ou então aquele grupo de moleques fazendo algazarra e xingando um monte de palavrão. E o povo que atende o telefone gritando?! Nem preciso falar...
    Em outro cenário, você caminha calmamente pelas ruas e, de repente, escuta vozes altas e pensa que é uma briga. Ledo engano: são apenas pessoas batendo um papo descontraído.
    Em um contexto de sala de aula, os alunos gritam o tempo todo por todas as razões possíveis: responder a chamada, pedir para ir ao banheiro/beber água, tirar uma dúvida (quando tiram, não é?!), pedir algo emprestado ao colega, fazer barraco, escândalo, histeria (triste realidade, mas muito comum atualmente!). Aquela paz da escola, aquele ambiente de silêncio para poder ler, estudar, se concentrar para aprender, assimilar os conteúdos, ouvir o professor, isso simplesmente não existe mais! E ainda tem os colegas de trabalho que simplesmente berram (ao invés de conversarem normalmente) na sala dos professores ou no refeitório, durante o almoço. Como querem exigir silêncio dos alunos se fazem o mesmo que eles?! Como posso almoçar sossegada, em paz, se meus tímpanos estalam em meio a tantos gritos (semana passada aconteceu isso, pasmem!)?!
    Nos dias 10 e 11 de setembro aconteceu, em uma das escolas onde leciono, uma feira cultural. Gente!!!! Fica difícil expressar com palavras o que presenciei ali: gritos, palavrões, um barulho infernal. Só consegui suportar aquilo usando tampões nos ouvidos. Alguns colegas saíram de lá com dores de cabeça e zonzos! Isso é uma feira cultural ou uma guerra?! Sim, esta é uma guerra contra a poluição sonora e a falta de respeito e de educação!
     NOSSA SOCIEDADE DESAPRENDEU A FAZER SILÊNCIO!
   Saibam que não sou a única a observar isso. A professora Kátia Simone Benedetti, escreveu sobre o assunto em seu livro “A Dignidade Ultrajada – ser professor do ensino público nos dias atuais”, livro este que a vale muito a pena ser lido. Kátia fala justamente sobre a atual geração, que não sabe o que é ter um momento de introspecção, de reflexão, de SILÊNCIO. Ficam o tempo todo com fones de ouvido, grudados em celulares, tablets, notebooks ou pc's e não treinam a concentração, não se silenciam. Enfim, leiam o livro para compreenderem melhor o ponto de vista da professora.
     Bom, mas voltando ao meu ponto de vista... Existe uma diferença bem grande entre ruídos/barulhos e música. Muitos incautos acham que blues ou heavy metal são estilos musicais de malucos, acham que se trata de um monte de caras tocando guitarras e gritando ou se lamentando. Se você for adulto ou ao menos tiver bom senso, entenderá que a minha observação tem a ver com POLUIÇÃO SONORA e não com música extrema. Como o tema do meu texto é outro, sugiro a essas pessoas que pensam da forma supracitada que dediquem alguns minutos de silêncio para pesquisarem sobre os referidos estilos musicais.
      Desejo o silêncio para poder olhar nos olhos do meu interlocutor e ouvi-lo atentamente e para que ele também possa me ouvir. Quero um ambiente de silêncio para poder ensinar calmamente aos meus alunos os conteúdos da disciplina e para que eles possam aprendê-la com concentração. Quero poder estudar e almoçar em paz, sem gritos, escândalos. Gostaria imensamente de voltar a lidar com seres humanos educados, pois a impressão que tenho é a de que voltamos à Era das Cavernas.
      Além de silêncio, espero da vida poder pilotar uma Harley-Davidson pela Rota 66. É pedir demais?!

sábado, agosto 22, 2015

8 anos de carreira: memória e reflexões

   Passou rápido demais! No último dia 13, completei 8 anos de magistério! Até então, não havia me dado conta de que estou em sala de aula há tanto tempo! Consegui sobreviver, apesar dos pesares e aqui estou, depois de muitas vitórias conquistadas dia após dia.
    Essa crônica visa rememorar meus melhores e piores momentos como professora. Convidos aos leitores a me acompanharem nessa viagem ao passado! Apertem os cintos!
    Então... Comecei minha trajetória lecionando em dois famosos cursos de idiomas. Como eu adorava esse tempo! Quanta saudade! Era ótimo, mas nem fazia ideia disso! Vivia sem estresse, sem ansiedade... Minha preocupação era a de preparar aulas criativas para pessoas interessadas em aprender inglês. Trabalhava de segunda a sábado, com públicos variados: crianças, adolescentes, adultos, pessoas de meia idade e com diferentes níveis, indo do básico ao avançado! Queria cada vez mais e mais turmas, adorava participar de workshops promovidos por editoras e livrarias e aproveitei para fazer os exames de Cambridge. Tudo parecia maravilhoso e perfeito. Eu tinha gás e disposição de sobra, até um dia me dei conta de que não dava para viver somente de cursinho: algumas turmas não lotavam e consequentemente, fechavam, o que acarretava em menos grana; certos alunos reclamavam de coisas idiotas tais como a música que eu passei para eles não ser uma que estivesse nas paradas de sucesso ou que eu havia pulado uma página do livro, etc. Essas coisinhas começaram a me irritar, então comecei a arrumar alunos particulares, lecionando também português.
      E eis que um belo dia de 2009, a Secretaria do Estado de Educação me convocou. Aparentemente, meus problemas haviam acabado! Tive o privilégio de começar na rede estadual trabalhando em uma ótima escola, com uma ótima direção e alunos idem! Por ser o turno da noite, os alunos eram mais velhos e portanto, mais interessados e comportados. Lecionava para 6 turmas do Ensino Médio regular. Minhas aulas eram lúdicas, fazendo com que aqueles alunos recuperassem suas autoestimas; afinal, a maioria deles estavam há anos afastados dos bancos escolares e o sentimento de incapacidade era muito presente.
      Porém, um dia o sonho acabou: no início de 2010, a direção dessa escola me informou que eu teria que sair de lá, pois muitas turmas haviam fechado e eu, por ser a mais nova, deveria procurar um outro colégio. E lá fui eu, morrendo de medo, para a coordenadoria escolher uma nova escola, preocupadíssima em relação a onde eu iria parar. Depois de muito pesquisar, acabei ficando em duas escolas diurnas perto de minha casa, com turmas de Ensino Médio compostas por adolescentes, um público que sempre achei difícil. Tive que rever minha didática, repensar o programa e daí, encarei a nova situação. Deu tudo certo e logo me adaptei aos "teens". Em uma das escolas, a direção era ótima e me apoiava. Já na outra... Enfim, acho que os leitores entenderam, não é mesmo?
      Em 2011, consegui ficar na escola cuja direção era presente e nela estou até hoje. A cada ano, o nível de conhecimento do público piora, infelizmente! Para se ter uma ideia, em 2010, meu primeiro ano lá, eu passava seminários e os alunos faziam. Por sinal, eram excelentes apresentações! Atualmente, nem trabalhos em sala de aula alguns fazem! Meu objetivo era trabalhar a parte cultural dos países de língua inglesa através de trabalhos e pesquisas em grupo. Agora, isso se tornou cada vez mais difícil. Inclusive, sou aconselhada por colegas e direção a passar somente trabalhos para serem feitos em sala e olhe lá, pois "assim, eles fazem". Só que, conforme mencionei acima, nem sempre "assim eles fazem"!
      Em 2012, assumi uma matrícula na prefeitura da minha cidade. Se até o momento eu não sabia o que eram problemas graves em minha profissão, a partir de então passei a conhecê-los e ainda por cima, isso se deu da pior forma possível! Logo de cara, peguei 4 turmas de "projeto". Para o leitor pouco familiarizado, turmas de projeto são formadas por alunos em distorção série/idade. Ou seja, eu lidava com adolescentes que eram, em sua grande maioria, infratores, oriundos de famílias com histórico de violência e abusos, entre outras situações de risco social. Como ninguém queria essas turmas e eu era a mais nova professora da escola, sobrou pra mim esse "pepino". Eu não estava preparada para uma realidade tão pesada, com alunos brigando em sala de 5 em 5 minutos, xingando palavrões, fazendo dobraduras de armas e desenhando coisas obscenas ou violentas. A direção me aconselhava para "ignorar" o que eles faziam.
     Toda semana, no dia anterior ao de ir para essa escola, chorava muito por conta da tensão e ansiedade que tomavam conta da minha alma. Consequentemente, acabei desenvolvendo depressão por ansiedade e isso culminou em licença médica! Iniciei um tratamento que dura até o presente momento e hoje, depois de muito choro e noites mal dormidas, posso dizer que estou 80% melhor!
      Mudei de escola. Agora, leciono inglês para o 1o segmento do Ensino Fundamental. É tranquilo? De maneira nenhuma, pois as crianças chegam para a escola cada vez mais sem limites, sem educação alguma, porque seus pais acreditam ser do professor o papel de educá-los. Gritam o tempo todo e bem alto, a tal ponto de ser impossível explicar os conteúdos, ouvir uma música, ver um filme ou fazer exercícios com audios, além de não trazerem o material fornecido pela própria prefeitura: livros com conteúdo lúdico e criativo, produzidos pela Cultura Inglesa. Poderia ser maravilhoso, mas...
      Minha meta, daqui para frentre, é continuar estudando, a fim de mudar de público. Meu foco é o magistério federal, composto majoritariamente por escolas técnicas ou com graduações politécnicas. Não penso em trocar de carreira, mas sim de público, pois as escolas "comuns", tanto públicas quanto privadas, se tornaram ambientes ansiogênicos para mim!
      Também estou em busca de alunos particulares, tanto para aprenderem inglês quanto para se aperfeiçoarem na língua portuguesa. Gosto muito do que faço, mas quero lecionar para quem quer, de fato, aprender!
      Fico muito feliz quando vejo ex-alunos do Médio entrando nas universidades, mesmo que privadas. Recentemente, soube de dois ex-alunos muito queridos que estão cursando Desenho Industrial e Engenharia Civil, sendo um na estadual e o outro na federal do Rio de Janeiro.
       Então, é isso, gente! Retomando meu blog depois de meses de estudo intenso! Em breve, tem mais!
Abraços!
     

quinta-feira, abril 02, 2015

Carnaval 2015: Minha primeira experiência com o site/aplicativo Airbnb



     Como a grande maioria dos brasileiros, sou uma pessoa bastante desconfiada. Desconfio de coisas muito baratas, de excesso de simpatia, de gente boazinha demais, de muitos sorrisos e por aí vai. Afinal, vivo num país cheio de malandros e corruptos. É compreensível, certo?! Porém, no Carnaval deste ano, abri uma exceção e deixei um pouco de lado o medo e a desconfiança.
     Um certo dia, um amigo me falou sobre o Airbnb. Ele havia alugado um quarto em Natal-RN por uns dias, pois estava participando de um evento em uma universidade. Esse amigo me contou que a família que o hospedou era maravilhosa e que tinha muitas coisas em comum com ele. Conversaram bastante, riram juntos e agora, eles o querem de volta, mas como visita!
     Diante de tantas novidades, meu amigo me convenceu: resolvi, então, baixar o aplicativo do Airbnb e já fiz a minha estreia no Carnaval de 2015! Escolhi um destino muito especial, um lugar que eu não visitava havia 15 anos: Vila Velha, no Espírito Santo. Levei comigo meu pai, minha sogra e meu namorado. Alugamos um apartamento no bairro Coqueiral de Itaparica, próximo à praia de mesmo nome. O apartamento era pequeno, mas muito jeitoso e estava de pleno acordo com as nossas necessidades.



Vila Velha, ES



O "boom" imobiliário de Vila Velha, ES

Shopping Vila Velha

                                     



     Chegando ao condomínio onde se localizava o apartamento, fomos recebidos pela dona do imóvel, uma senhora muito simpática e cordial, que nos passou todas as instruções. Na cozinha, tudo o que precisávamos nos foi oferecido: panelas, pratos, talheres, copos, vasilhames e produtos de limpeza em geral. Vale ressaltar que nem mesmo toalhas nem roupas de cama precisamos levar! A dona do imóvel nos ofereceu tudo mesmo!
     Posso dizer que foi o melhor carnaval da minha vida: sem tumultos, sem blocos, sem gritaria. É que, apesar de ter apenas 30 anos, nunca fui chegada a pular carnaval. Prefiro relaxar mesmo e aproveitar o feriadão! Enfim, não sou uma típica carioca foliã!
     Quanto à cidade de Vila Velha, esta mudou muito de 15 anos para cá! Está passando por um "boom" imobiliário, com muitos prédios lindos e shoppings idem!
     Depois de alguns dias em Vila Velha, pegamos o Trem de Passageiros da Vale em Cariacica, região metropolitana de Vitória, até Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Realizamos um sonho antigo do meu pai! Foram 13 horas de viagem simplesmente deliciosas! Não imaginava que conhecer o Brasil desta forma fosse ser tão agradável e proveitoso! Vimos belíssimas paisagens entre Espírito Santo e Minas. Nem preciso dizer que recomendo essa experiência a todos, rs!
     Os trens possuem duas classes: econômica e executiva. Escolhemos a executiva pelo conforto, é claro. Mas as pessoas podem circular normalmente pelos vagões, até porque, 13 horas sentado direto, ninguém aguenta! Há também um vagão-restaurante e lanchonete, mas os passageiros da classe executiva recebem as quentinhas nos próprios assentos.


                 
Vagão- restaurante no Trem da Vale







Apreciando as belas paisagens entre Espírito Santo e Minas Gerais




    Já em Belo Horizonte, visitamos mais uma vez o Circuito Cultural Liberdade, o Mercado Central e, é claro, como não poderia deixar de ser, o clássico bate-e-volta ao Museu Inhotim. Meu pai ainda não conhecia o maior museu a céu aberto do mundo. Foi a sua primeira vez lá e ele se encantou com aquele lugar maravilhoso!

Inhotim




    Quanto ao Airbnb, pretendo usá-lo outras vezes, tanto no Brasil quanto no exterior. Meu próximo destino provavelmente será Brasília, onde irei pela primeira vez!
       

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

A realização de um sonho


Castelo de Chapultepec

Basílica de Guadalupe

Museu de Antropologia

Museu Frida Kahlo

Ruínas de Teotihuacan
       

       
       Se alguém me perguntasse como e quando foi que comecei a me interessar pelo México, acho que não saberia responder com exatidão.
       Talvez tenha sido por volta dos 8 anos, quando eu me sentia na pele dos personagens da novela "Carrossel". Era como se eu estudasse na Escuela Mundial e fizesse parte daquela turma. Porém, eu era uma espécie de aluna que só observava, sem participar diretamente dos fatos, tal como um narrador observador. Eu sonhava com o México todas as noites e não era a única. A maioria das crianças da minha geração sonhava com o México, com a sua capital e seus palacetes esplendorosos! Sonhava com a professora Helena e sonhava que era mexicana. Sonhava que passava as férias em Acapulco, como o Chaves em um de seus muitos episódios hoje sabidos de cor e salteado por muitos balzaquianos e lobos brasileiros. Tudo era sonho, mas que parecia realidade.
       Talvez tenha sido ouvindo a tradicional música mariachi, que achava divertida e diferente desde pequena ou talvez pelo Santana, cuja guitarra me acordava nas manhãs de sábado, com meu pai ouvindo seus discos ou as canções do famoso guitarrista na Fluminense FM.
       Talvez tenha sido por causa da História dos povos Pré-colombianos que habitavam o México: os Mayas, os Aztecas e tantos outros. A cultura indígena está em meu sangue, tanto na ancestralidade quanto na admiração e curiosidade.
       A História do México me abriu as portas para mais conhecimento e mais sonhos. Depois de me encantar com as obras de Frida Kahlo nos museus, quis saber mais sobre a vida da pintora, repleta de tragédias e de muita melancolia. Quis experimentar a comida desse país: forte e apimentada. Quis ver muitos homens e muitas mulheres, com cabelos castanhos, lisos e brilhantes, sempre impecáveis no gel ou brilhantina. Esse povo meio índio, meio branco, meio Maya, meio Azteca, meio espanhol, a pele morena, os olhos puxados; a pele branca, os olhos verdes, azuis... o sorriso no olhar! A infância e a juventude. O rock, as músicas tradicionais. A forma peculiar de lidar com a morte. Os álbuns de fotos nos cemitérios. A tristeza se convertendo em alegria. A luta por um país melhor.
       O tempo passou e aos 30 anos, veio a oportunidade de realizar esse sonho antigo. Conhecer o mundo sempre esteve em meus planos, mas o México era aquele "país-prioridade", sabe? Ele era o primeiro da listinha, apesar de não ter sido o primeiro efetivamente. Não sei exatamente quando esse sonho começou. Acho que nasci com ele!
       Chegou a hora do sonho virar realidade, de poder me sentir parte integrante deste lugar e desta História ou de várias outras histórias que surgirão no caminho.
       Sou mexicana de coração faz tempo. O México é a segunda pátria dos latino-americanos. O Brasil é a segunda pátria dos mexicanos.
         


 E DEPOIS DE IR AO MÉXICO...
     


       Foram 11 dias incríveis, sendo a maioria deles passados na Cidade do México, capital do país. A maior cidade da América Latina exala História pelos poros! E como eu amo muito isso! A cidade é bastante limpa e arrojada. As pessoas que conheci pelas minhas andanças eram muito educadas e simpáticas. Elas só tinham um problema: falava muiiiiito rápido! Foi muito dificultoso compreendê-las. E para completar, o espanhol mexicano sofreu uma grande influência da língua náhuatl, do tronco Azteca. O que isso significa?! Significa que várias palavras do cotidiano se tornam difíceis de entender, pois elas são de origem indígena! Ítens de alimentação, cujos significados eu saberia facilmente em espanhol de Espanha ou da Argentina, eu jamais saberia no espanhol do México sem perguntar aos locais! Foi um grande aprendizado!
        Me hospedei em um hostel perto do Monumento à Revolução Mexicana, próximo à estação de Metrô Hidalgo e com linhas de ônibus e de Metrobus (BRT) próximas. Posso afirmar que fiquei em um lugar com fácil acesso para outros pontos da cidade. Logo no primeiro dia em que cheguei, quis dar uma volta pelo Centro Histórico, também conhecido como Zócalo, que ficava a cerca de 20 minutos a pé de onde estava hospedada. Há diversos museus por lá, o que daria um passeio de praticamente um dia inteiro. Depois, peguei o metrô e o trem ligeiro (VLT) e parti para o Estádio Azteca, palco da vitória do Brasil na Copa de 1970. Existe um tour bastante interessante por lá.


Eu, no Estádio Azteca



       Tirei um dia inteiro para conhecer o Bosque de Chapultepec e seu Castelo, que foi residência do Imperador Maximiliano e da Imperatriz Carlota. No bosque, há outros museus, tais como o imperdível Museu de Antropologia. 


Zócalo



      Andei de "trajinera" nos canais de Xochimilco, visitei o Museu Frida Kahlo no bairro de Coyoacán, visitei a Basílica de Guadalupe e as ruínas Aztecas de Teotihuacan... Ufa! Fiz muita coisa nessa capital! Depois, parti para Cancún, o destino preferido da maioria dos brasileiros. Foi lá que finalmente consegui relaxar, pois essa viagem foi super agitada. Me hospedei em um hostel no Centro, pois a Zona Hoteleira é caríssima! Tive a impressão de que, quem fica nessa região, não tem a menor noção do que é Cancún! É um mundo a parte, isolado do coração da cidade.
      Tirei um dia para ir à Chichen Itzá, uma das 7 maravilhas do mundo. Trata-se de uma velha cidade Maya. O que mais me impressionou foi a pirâmide Kukulcán, que é um grande calendário. Existem muitos detalhes sobre ela. Aos interessados em conhecê-la, recomendo que busquem em sites ou em livros de História. Também matei a vontade de mergulhar em um cenote, uma espécie de rio que era um dos muitos locais onde os Mayas faziam seus sacrifícios. Os outros dias foram aproveitados à beira-mar, bebendo sucos e comendo sanduíches.

Xochimilco

Playa Marlines

Pirâmide Kukulcán, Chichen Itzá

Eu, nadando em um cenote, nos arredores de Chichen Itzá




         Antes de voltar para casa, passei mais um dia na capital. Vale mencionar que aquele México, muito católico e tradicionalista, ainda existe! Vide as várias festas de debutantes que vimos pela cidade: meninas com belos trajes de gala, acompanhadas de suas damas e cavalheiros devidamente trajados. Algumas, pulavam com amigos nos tetos solares de limousines. Os transeuntes as saudavam. Aqui no Brasil, as festas de debutantes mudaram muito e muitas meninas preferem nem fazer festa. Além disso, vi várias noivas floridas, fotografando nos monumentos da cidade. Casamento na igreja, de véu e grinalda, ainda é forte no México, assim como no Brasil.
         Os homens mexicanos são super vaidosos. Vide as prateleiras dos supermercados, repletas de produtos masculinos que não existem no Brasil. Mas um detalhe me chamou atenção: potes enormes de gel, prometendo "fixação espetacular". Menininhos, adolescentes, jovens, idosos...TODOS usam gel! Já as mulheres, são obcecadas por maquiagem. Achei exagerado, pois muitas pareciam palhaças, rs!
         Os pratos de comida são tão bem servidos que resolvi dividí-los com meu namorado. Cheguei à conclusão de que o povo do México e exagerado em vários sentidos, inclusive no drama, rs!
         Os mexicanos amam ler. Há diversas livrarias,  por toda parte, em cada quarteirão na capital! Além disso, há vendedores ambulantes dentro metrô, que anunciam livros a Mx$10 (cerca de R$ 2,50). Detalhe é que são livros novos! E Paulo Coelho é ídolo!
         A figura da "abuela" continua firme e forte, por influência da cultura Maya, essencialmente matriarcal. Mas tem um outro México que poucos brasileiros conhecem. Eu vi muitos casais homossexuais por lá, em diversos lugares. Muitos, inclusive, se beijavam em público, dentro de restaurantes, coisa que vejo muito pouco no Rio. Para os radicais (feministas, principalmente) que adoram dizer que o México é um país ultra machista, está na hora de rever seus conceitos!
         Pretendo voltar ao país, desta vez para visitar Guadalajara e Mérida. Recomendo!